O clima de Esperança está no
ar, mais um ano começa trazendo sonhos, desejos de mudanças seja de trabalho, de
moradia, de cidade, de estado ou de país. Enfim, esperança de transformações que
tragam novos ares tanto para a vida pessoal como coletiva. Mas o homem deitado
na via pública, em posição de quem já morreu, indica que algumas situações tendem
a se repetir. Ou seja, Novo Ano não implica de fato em mudanças e estas podem
não acontecer.
A presença deste “corpo” na
calçada com os raros transeuntes passando na mesma calçada sem sequer olhar. Caminham
pelo meio da rua neste 1⁰
de janeiro em que o trânsito de veículos é quase inexistente nas redondezas.
Ninguém parece se importar. Uma observadora na janela do prédio do outro lado
da via chama a emergência que, após diversas perguntas, é informada de que enviarão
ajuda, que chega 25min depois em duas motos ambulâncias. Eles encontraram o homem recostado na porta de aço do restaurante fechado.
Os socorristas sequer descem
de seus veículos. Perguntam algo; um minuto depois fazem meia volta e vão embora,
enquanto o homem permanece sentado na calçada. Depois de um curto período de
tempo ele se levanta com alguma dificuldade, caminha até a esquina da rua onde
estava e desaparece do ângulo de visão da observadora.
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| Foto: Google |
Regina da Luz
Vieira (RegiLuzVieira)
