quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Novo Ano

O clima de Esperança está no ar, mais um ano começa trazendo sonhos, desejos de mudanças seja de trabalho, de moradia, de cidade, de estado ou de país. Enfim, esperança de transformações que tragam novos ares tanto para a vida pessoal como coletiva. Mas o homem deitado na via pública, em posição de quem já morreu, indica que algumas situações tendem a se repetir. Ou seja, Novo Ano não implica de fato em mudanças e estas podem não acontecer.

A presença deste “corpo” na calçada com os raros transeuntes passando na mesma calçada sem sequer olhar. Caminham pelo meio da rua neste 1⁰ de janeiro em que o trânsito de veículos é quase inexistente nas redondezas. Ninguém parece se importar. Uma observadora na janela do prédio do outro lado da via chama a emergência que, após diversas perguntas, é informada de que enviarão ajuda, que chega 25min depois em duas motos ambulâncias. Eles encontraram o homem recostado na porta de aço do restaurante fechado.

Os socorristas sequer descem de seus veículos. Perguntam algo; um minuto depois fazem meia volta e vão embora, enquanto o homem permanece sentado na calçada. Depois de um curto período de tempo ele se levanta com alguma dificuldade, caminha até a esquina da rua onde estava e desaparece do ângulo de visão da observadora.

Foto: Google

Ele não parecia morador de rua; estava com roupas limpas, meias brancas, assim como a camisa de malha; seus tênis pretos estavam limpos bem como o boné da mesma cor. Tal fato leva a pensar: começa um Novo Ano e a indiferença favorece situações que poderiam ser evitadas. Indica situações que poderiam ser evitadas caso houvesse mais solidariedade, proatividade capazes de gerar ações capazes inclusive de salvar uma vida.

Regina da Luz Vieira (RegiLuzVieira)

sábado, 13 de dezembro de 2025

Novamente Natal

Dentro de 12 dias celebraremos o Natal 2025. Nas ruas há um vaivém de pessoas com sacolas de diversos formatos e cores num entra e sai de estabelecimentos comerciais, cujas fachadas estão enfeitadas com pequenas luzes coloridas e flores vermelhas artificiais. Mas há também aqueles que entram e saem das lojas de mãos vazias após olharem preços de pequenas, médias e grandes mercadorias. Alguns balançam a cabeça de modo negativo enquanto outros ficam introspectivos, analisando as possíveis soluções para atingirem seus objetivos.

É tempo de esperança, de festa, mas sobretudo é tempo de acolher quem perdeu a esperança e a confiança num mundo mais justo, fraterno, igualitário, equitativo onde mesmo divergindo amigos e inimigos possam se dar as mãos em prol dos menos afortunados. Natal é tempo de espera proativa, alojando Jesus naqueles que são migrantes dentro e fora do Brasil. Alojar implica proximidade, empatia, enfim acolher o diferente nos mais diversos aspectos.

Temos a impressão de que esta seja uma época apenas para  troca de presentes, confraternização entre amigos e colegas de trabalho, mas o motivo central fica em standby. Ainda que exista um sentido religioso profundo para os cristãos em todo o mundo, o anfitrião, muitas vezes, é deixado em segundo plano. Então, tudo se torna um vaivém sem muito sentido, gerando desgastes e irritações, contradizendo a proposta de paz, amor, alegria, aconchego, família alargada. O coração de muitos se entristecem porque sequer têm condições para comprar um pão...

Mas isso pode ser mudado; em muitos lugares a mudança se faz a olhos vistos porque há crianças, jovens, adultos, idosos, mulheres e homens que se organizam em grupos ou instituições civis para realizarem o Natal do Menino-Deus. Levam alimento, roupa, moradia e trabalho onde a precariedade, a penúria se fazem presentes, fazendo renascer a esperança, a confiança, o sorriso na face de quem perdera a perspectiva de uma vida realmente digna para si, para os filhos e parentes. Estas pessoas veem a luz da estrela-guia surgir entre as sombras neste século XXI.

Foto: RegiLuzVieira

Regina da Luz Vieira (RegiLuzVieira)

 


terça-feira, 4 de novembro de 2025

Atmosfera mágica

Foto Google


Mar, sol, calor, leve brisa e o céu azul sem nuvens inundam a visão, a mente e o coração deixando na alma a sensação de liberdade, de uma presença divina constante e capaz de integrar a vida humana como parte visível do Infinito que circunda tudo e todos. A paz dentro e fora torna-se palpável e não apenas sutil ou pensamento etério; talvez porque o barulho de motores, de vozes humanas, som de animais, inclusive pássaros cessaram por alguns instantes colaborando na construção de uma atmosfera mágica.

Os ruídos desaparecem como por encanto, cedendo lugar aos pensamentos reflexivos, introspectivos, colocando-nos em contato com o mundo interior, cujos sentimentos não vêm como cascatas, mas permitem a completa imersão de modo espontâneo. Um mergulho ao mais escondido recanto interno, onde se descortinam pensamentos de gratidão, alegria, amor ágape e desejos de absorver a Vida em doses homeopáticas, saboreando o fluir desta mesma Vida que se extravasa de modo exuberante nas cores do ambiente ao seu redor.

 Diante do verde das montanhas, bem como de árvores cujos troncos se erguem imponentes, as folhas no ponto mais alto das palmeiras balançam ao vento; esta imponência demonstra que as intempéries não impedem o seu frutificar. Plantadas ao redor de planícies cobertas por paralelepípedos em forma de losangos – cujas frestas permitem a absorção da água e dos nutrientes necessários ao seu desenvolvimento – estas árvores são sinais de interligação entre o mundo vegetal e o próprio homem convivendo de modo pacífico e produtivo, em uma harmonia que encanta olhos, coração e mente.

Regina da Luz Vieira (RegiLuzVieira)