domingo, 13 de março de 2022

Perplexidade

 

Foto Google

O mundo está perplexo, pois em meio a uma pandemia e em pleno século XXI – marcado por inúmeras conquistas tecnológicas – o homem volta à época da barbárie e deflagra uma guerra, obrigando centenas de milhares de pessoas a se tornarem refugiadas de um momento para outro. Uma guerra que obriga homens entre 18 e 60 anos a permanecerem no país para defenderem0no de seus invasores!

Parece surreal. Em 24h os ucranianos e outros que estavam naquele país viram-se entrincheirados e ameaçados por bombardeio sem par e tanques de guerra russos. Situação inimaginável após a 2ª Grande Guerra Mundial. Isto para não falar em centenas de crianças assustadas, feridas e idosos que sequer sabem para onde ir. Todos tentam alcançar as fronteiras a fim de deixar para trás a poeira de prédios destruídos por bombardeios que geram chamas que podem ser vistas a milhares de quilômetros de seu epicentro.

A imagem deste horror e perplexidade pode ser sintetizada no bebê aos prantos e que batia sem parar no capacete do soldado que estava com ele no colo; o soldado por sua vez abaixou a cabeça para apanhar mais diante da insensatez e absurdo desta situação. Escombros por todos os lados, pessoas arrastando crianças e malas para atravessar fronteiras e manterem a integridade e manterem-se longe dos bombardeios.

Em meio ao caos há imagens de resistência por meio de músicas e orações entoadas por quem se viu abrigado nas estações de metrô
e há ainda uma corrente de solidariedade que se mobilizou para retirar do país aqueles que não eram ucranianos e que por inércia do país de origem foram deixados à própria sorte... Mas um ser humano é resiliente e, mesmo quando dominado pela perplexidade busca encontrar saída e estender a mão solidária nas situações caóticas.

Regina Maria da Luz Vieira (RegiLuzVieira)


sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

Vida Moderna

 

Corre, corre, corre; celular toca, e-mails se acumulam, mensagens de Whatsapp que não param de chegar. Estações de ônibus e metrôs lotados, trânsito congestionado, poluição ambiental e sonora; marcas da modernidade. Desmatamento, catástrofes naturais como consequência do desrespeito à natureza e do descaso de política públicas que beneficiem o coletivo desamparado. Estes são outros sinais desta Vida chamada Moderna.

No meio desta roda viva o mundo foi paralisado por um vírus vindo da China numa cruel sagacidade, envolvendo todos e dizimando muitos que se atrevem a manter hábitos comuns. E agora José, o que fazer para conter o vírus e suas cepas que teimam em se replicar não obstante o avanço científico? É este o século XXI, no qual a Vida Moderna já avançou quase duas décadas.

https://br.freepik.com/fotos-vetores-gratis/sustentabilidade

Junte-se a esta “novidade” insólita e avassaladora as catástrofes naturais recorrentes. Como gerar ações efetivas que freiem mortes e sofrimento sem sentido? Como exterminar a quase eterna discriminação social  que neste país descamba para a violência? Em geral, atinge, em forma de balas perdidas ou agressões gratuitas, a população negra e pobre.

Vida Moderna na qual o mundo se transforma numa aldeia global, mas há sinais de barbárie iminente como foice balançando, pronta para decepar a cabeça presa à guilhotina. Há de fato há uma Vida Moderna ou meros avanços em todos os campos do conhecimento?

Em meio aos festejos do centenário da Semana de Arte Moderna os Meios de Comunicação, digitais ou não, noticiam a morte do jornalista, cineasta e escritor Arnaldo Jabor, aos 81 anos, enlutando ainda mais uma semana trágica pela morte de centenas de soterrados no temporal de Petrópolis (RJ). Uma tragédia anunciada e repetida há décadas.

Há rastros de vidas ceifadas, destruindo sonhos e esperanças mundo afora. O Brasil não foi poupado e as catástrofes se sucedem de norte a sul com vítimas fatais e muitas perdas. Ainda que ofuscada a luz surge nos gestos concretos de solidariedade individual e coletiva; solidariedade esta que caracteriza o ser humano e floresce em períodos trágicos, fazendo crer que a Vida Moderna é mais do que só a máxima da individualidade neste mundo  digital globalizado.

Regina Maria da Luz Vieira (RegiLuzVieira)

domingo, 13 de fevereiro de 2022

Centenário

Semana de Arte Moderna 

Estamos na Semana de comemoração do centenário da Semana de Arte Moderna de 1922 e hoje, dia 13 de fevereiro, houve a abertura oficial na época, no Teatro Municipal em São Paulo. Foi um período de Liberdade Criativa, de repúdio e mesmo revolta dos artistas contra os padrões rígidos que dominavam todas as esferas do mundo da Arte que excluía os não seguidores do parnasianismo, incluindo a Arte Popular.

Aquela Semana de 22 – como ficou mais conhecida – trouxe um legado que se estende e abarca também o século KKI, o Modernismo. Na ocasião, os artistas populares ocuparam as dependências e o hall do teatro municipal, retratando a natureza, o seu entorno, as pessoas em formas assimétricas, assim como ideias em prosa e verso sem a rigidez até então estabelecida.

Foi um período de muita crítica ácida ao mundo burguês que dominava a sociedade e não aceitou as mudanças. Mas a liberdade criativa permitiu a inovação e a revelação de obras primas no mundo das Artes, incluindo aqui o mundo dos escritores. Enfim, tudo sofreu uma revolução em seu processo criativo e produtivo liderado pelo grupo dos cinco: as pintoras Anita Malfatti e Tarsila do Amaral (que estava na França e só voltou ao Brasil em junho daquele ano) e pelos escritores Menotti Del Picchia, os irmãos Oswald de Andrade e Mário de Andrade.

Deste modo a Semana de Arte Moderna revelou um Brasil que ainda hoje é desconhecido de muitos tanto em sua diversidade humana quanto na natureza. Basta lembrar o mundo do folclore presente no país de norte a sul e tão pouco conhecido. Assim, em tempos como os atuais em que se exacerbam as diferenças, radicalizando-as em ódio e violência, celebrar, exaltar o centenário da Semana de Arte Moderna de 1922, é trazer uma lufada de esperança, alegria, luz e cores à nossa tão desgastada e devastada sociedade. Neste sentido, deixa entrever que a criatividade traz mais benefícios do que intolerância de qualquer tipo. 

Regina Maria da Luz Vieira (RegiLuzVieira)

https://revistabula.com/wp/wp-content/uploads/2022/01/Semana-de-Arte-Moderna-de-1922.jpg