terça-feira, 30 de junho de 2026

O invisível, visível

Todos os dias, fizesse frio ou calor, chuva ou sol lá estava ele sentado em seu banco de pedra, rodeado de sacolas, duas malas de rodinha e uma mochila. De repente ele desapareceu por duas semanas. O que teria acontecido?

M.L simplesmente sumiu, deixou de fazer parte da paisagem local que de repente ficou vazia. Mas assim como desapareceu, ele retornou por mais alguns dias. O cabelo cortado e barba feita, estava com duas malas: uma azul e outra cinza, além de uma mochila preta. As demais sacolas, sacos e “tranqueiras” haviam desaparecido.

Estava sentado sob um papelão; não havia mais o banco. Mãos no queixo, olhar distante; parecia alheio, mas observava o movimento de carros e pessoas.

Foto da autora
Ao contrário do período anterior não falava em vós baixa; aliás, sequer falava.  Dava a impressão de estar ainda mais calmo; conversamos alguns segundos e ele disse: “vou embora” e emudeceu. Despedi-me e continuei subindo a rua. No dia seguinte o ponto de M.L. estava vazio de novo. Parecia um lugar sem vida, ainda que carros e transeuntes fossem constante, faltava algo, ou melhor, alguém wque, de maneira alguma era invisível.

    

Regina da Luz Vieira (RegiLuzVieira)